Luz, Câmera, Ação – Conheça o trabalho de Quentin Tarantino

Diretor, roteirista, produtor, ator e o terror dos pesadelos das atrizes Tina Fey e Amy Poehler, segundo a definição das próprias no Globo de Ouro de 2013

Quentin Tarantino

Esse é Quentin Tarantino, um dos mais importantes homens da indústria cinematográfica norte-americana atualmente. Responsável por grandes sucessos de Hollywood, incluindo seu último Django Livre, Tarantino mistura em seus filmes humor, ação, diálogos memoráveis, trilhas sonoras marcantes, referências pop e uma boa dose de violência que beira o absurdo.

Tem quem o ache injustiçado por nunca ter levado um Oscar de melhor diretor, tem quem o critique por repetir suas fórmulas em todo filme e “banalizar” assuntos polêmicos, como o nazismo e a escravidão. Mas ninguém discorda que Tarantino revolucionou a indústria de películas independentes nos anos 1990, desde que despontou com obras como Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Jackie Brown.

Violento e genial, ele é Tarantino

Nascido no Tennessee, Estados Unidos, em 1963, Tarantino traz em seu sangue uma mistura italiana, irlandesa e dos índios Cherokees, o que lhe conferiu a aparência peculiar que passa longe dos padrões de beleza hollywoodianos, conforme o comentário reproduzido no começo desse artigo. Mas a genialidade para os roteiros, que já lhe rendeu duas estatuetas do Oscar, surgiu cedo, aos 22 anos.

Tarantino já estudava atuação desde os 16 anos e trabalhava em uma videolocadora, onde devorava os títulos, o que o tornou uma enciclopédia viva de filmes, dos populares aos de arte.

Seus primeiros roteiros vendidos foram Amor à Queima Roupa (ou True Romance) – dirigido por Tony Scott e estrelado por Christian Slater e Patrícia Arquette – e Assassinos por Natureza (Natural Born Killers) – dirigido por Oliver Stone e com Woody Harrelson e Juliette Lewis nos papéis de Mickey e Mallory Knox. Isso lhe rendeu dinheiro para investir em um filme que roteirizou, dirigiu e atuou, além de ter lhe tirado do anonimato. Cães de Aluguel (Reservoir Dogs) faturou 22 milhões de dólares de bilheteria, mas foi superado por Pulp Fiction – Tempo de Violência, o filme que lhe deu a primeira estatueta do Oscar de melhor roteiro original e 213 milhões de dólares.

Cena de Pulp Fiction - Tempo de Violência

Em 1995, ele escreveu e dirigiu uma das histórias de Grande Hotel (Four Rooms), uma obra que não fez grande sucesso, e em 1997, lançou Jackie Brown, seu terceiro filme, também bastante criticado. Sua quarta película, Kill Bill, foi dividida em dois volumes e, juntos, renderam a Tarantino 333 milhões de dólares. Depois veio À Prova de Morte (Death Proof), de um projeto com o amigo e também diretor Robert Rodriguez, o Grindhouse. A ideia era produzir dois filmes trashes, de baixo orçamento, com referências ao lado B do cinema norte-americano. O filme estreou em poucos lugares e aqui no Brasil foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2007.

Com Bastardos Inglórios, Tarantino colocou mais uma bolada no bolso: 321 milhões de dólares. Foi nesse filme que ele lançou o ator austríaco Christoph Waltz para o estrelato, faturando o Oscar de melhor ator coadjuvante de 2010. Em 2013, Waltz conquistou sua segunda estatueta por estrelar o último filme de Tarantino, Django Livre, que bateu recorde de bilheteria entre todas as suas películas: 365 milhões de dólares.

Os queridinhos do mestre

Samuel L Jackson

Assim como em novelas brasileiras, alguns diretores de cinema elegem seus atores preferidos e procuram trabalhar sempre com eles. A parceria entre Tim Burton, Johnny Depp e Helena Bonham Carter é um dos casos mais emblemáticos de Hollywood. Woody Allen dirigiu, durante anos, Mia Farrow, e agora é corriqueiro ver em seus filmes as belas Penélope Cruz e Scarlett Johansson.
Com Quentin Tarantino também não é diferente. Samuel L. Jackson, por exemplo, participou de quase todos os seus filmes, ficando de fora só de Cães de Aluguel e À Prova de Morte. Foi Jules, em Pulp Fiction; Ordell Robbie, em Jackie Brown; Rufus, no Kill Bill Vol. 2; o narrador de Bastardos Inglórios; e Stephen, em Django Livre.

O novo queridinho de Tarantino é o já citado Christoph Waltz e a aposta no ator deu certo. Além do talento para atuar, Waltz conseguiu o papel de Hans Landa em Bastardos Inglórios por falar fluentemente o alemão, o francês e o inglês. No filme ambientado na França, ele é um coronel nazista que enfrenta um grupo de norte-americanos opositor ao regime de Hitler.

O Coronel Hans Landa interpretado por Christoph Waltz

Já a musa inspiradora de Tarantino é Uma Thurman, que atuou em Pulp Fiction e nos dois volumes de Kill Bill, fazendo o papel de A Noiva (cujo nome só é revelado no segundo filme). Os pés de Uma povoam os sonhos de Tarantino, um podólatra assumido. Seu fetiche por pés aparecem em quase todos os seus filmes, em tomadas sutis.

Tarantino em números

quentin-tarantino

A violência permeia todas as suas películas e, até Django Livre, 563 personagens já morreram em seus filmes, segundo o site Next Movie. As mortes ocorreram de 18 formas diferentes e algumas bem peculiares: picada de cobra, ataque de cachorro, escalpelamento e o golpe fictício dos cinco pontos que explodem o coração.

Essa é uma das curiosidades das obras de Tarantino. Outra é a quantidade de palavrões em seus filmes. A palavra feia que começa com F é a mais falada e só em Cães de Aluguel ela é pronunciada 269 vezes.

Tudo isso sai do cérebro privilegiado do cineasta, que tem um QI em torno de 160, quando a média em um adulto varia entre 90 e 110.

Luz, câmera, blá, blá, blá e som

Pulp Fiction

Os filmes de Tarantino são feitos, também, de diálogos memoráveis como o de John Travolta e Samuel Jackson sobre sanduíches dentro do carro, em Pulp Fiction; ou a teoria de Bill, interpretado por David Carradine, sobre o fato de o Super-Homem ser o seu super-herói preferido. Em Bastardos Inglórios, Brad Pitt tenta falar italiano com o fluente Christoph Waltz em uma conversa hilária.

Algumas cenas já nascem clássicas, como o concurso de dança em que participam John Travolta e Uma Thurman, em Pulp Fiction de novo; a luta da Noiva contra os 88 malucos, em Kill Bill vol. 1; e a colisão de frente entre dois carros, em À Prova de Morte.

Outra que costuma roubar a cena é a trilha sonora. As músicas geralmente casam bem com cada uma das tomadas e dos personagens, e é impossível não lembrar dos filmes de Tarantino assim que se escuta Al Green, Urge Overkill, Jim Croce, T. Rex, The Coasters, Dick Dale e Ennio Morricone, seu compositor preferido.

Se você é fã ou quer conhecer um pouco mais sobre esse cineasta excêntrico, faça a pipoca e aproveite a companhia e a diversão garantida com as grandes obras de Tarantino.

Confira a obra do diretor Quentin Tarantino

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